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Nossa História

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Nossa História

 

Grupo de Cultura Espírita Jesus de Nazaré - Nossa história

Os ideais

Como deve ser contada a história de uma Casa Espírita? Não soa bem a idéia de uma narrativa formal, feito os históricos oficiais de empresas comerciais. Afinal, são diferentes as motivações que produzem o nascimento de uma instituição financeira e o nascimento de outra, de cunho filosófico/científico/religioso. Enquanto o interesse pelo Capital move a fundação de empresas, um ideal que remonta aos primeiros tempos do Cristianismo move a criação de uma Casa Espírita.

Talvez essa seja uma boa forma de começar nossa história do Grupo de Cultura Espírita Jesus de Nazaré: por seus ideais.

Nossa Casa começou a funcionar antes mesmo de ser fundada. Um pequeno grupo de pessoas passou a reunir-se no início de 1992, com o ideal de enxergar a vida de uma forma ampla, através das luzes e da compreensão propostas pela Doutrina Espírita. Parte dessas pessoas, embora residentes em Duque de Caxias, vinha da experiência doutrinária em uma outra Casa, o Centro Espírita Humildade e Amor, de Irajá, que à essa época já se tornara uma Casa de grande porte e de muitos e fecundos trabalhos. Seria hora daquela Casa dar frutos para outras localidades? Certa vez Allan Kardec dissera que o ideal seria haver Casas Espíritas pequenas, uma em cada esquina. Estaria a Espiritualidade sintonizada com essa idéia ao inspirar o Sr. Alfredo Augusto de Azevedo, então com 63 anos, a ceder uma casinha de sua propriedade em Duque de Caxias para a criação de uma nova Casa Espírita?

O fato é que esse pequeno grupo de pessoas foi criando o hábito de se encontrar e refletir sobre o Evangelho de Jesus à luz do Espiritismo. A casinha dos encontros era chamada carinhosamente de “Grupinho”: - “estou indo ao Grupinho”- , diziam ao se dirigirem para as reuniões. Essa  experiência foi se tornando um hábito, e o “namoro” deu em casamento: em 13 de abril de 1992 foi registrada a ata de fundação da primeira reunião de Diretoria, que formalizou a criação da nova instituição.

Os fundadores e o nome da Casa

Para compreender melhor os ideais fundantes da nova Casa Espírita, vamos conhecer essas pessoas. O grupo fundador era composto por Cecilia Rita Barbosa, Luiza Garcia Cortez, Ubiracy e Evany Ferraz, o já citado Alfredo, Nilton Ribeiro e Paulo Monteiro. Os cinco primeiros vieram do Humildade e Amor; os dois últimos vinham de uma longa experiência no Movimento Espírita de Duque de Caxias. Traços comuns os ligavam: a paixão pelo estudo da Doutrina Espírita e o interesse em difundi-la para os moradores das redondezas.

Um outro traço deu origem ao nome da instituição: a compreensão de que a Doutrina Espírita é um instrumento poderoso que serve a um fim: a implantação do Evangelho de Jesus no coração dos homens. Nada mais natural, portanto, que fosse esse o nome da Casa: Grupo de Cultura Espírita Jesus de Nazaré.

Por que Grupo de Cultura Espírita e não Centro Beneficente, ou Grupo de Caridade? Simples: Grupo de Cultura Espírita fala mais da proposta central da Casa: agrupar pessoas interessadas em absorver a cultura espírita para repensar seu cotidiano.

E por que Jesus de Nazaré? Para manter sempre em mente que nossa referência principal é Jesus, e para ele devem convergir sempre todas as nossas práticas e teorias.  

O espaço físico

Localizado provisoriamente numa pequena casa que ainda hoje existe nos fundos da sede atual, o salão era um pequeno cômodo de cerca de 9 metros quadrados, com poucas cadeiras e alguns bancos de madeira colocados na varanda. Como a janela e a porta ficavam abertas, era possível dali assistir a palestra e ouvir sem dificuldade. Microfone seria na época um artigo desnecessário, pois todo mundo ficava muito junto – afinal, éramos poucos, e a falta de espaço espremia todos da forma como era possível. Havia também uma sala de passes (o que anteriormente era o quarto daquela casa). Enfim, tudo muito semelhante ao que devem ter sido as primeiras casas cristãs. A simplicidade material era compensada pelo interesse crescente das pessoas que para ali eram atraídas e pela dedicação dos trabalhadores de primeira hora.

A sede original abrigou as primeiras reuniões até dezembro de 1993, quando foi transferida para as instalações atuais, localizadas na frente do mesmo terreno. O início do ano de 1994 já viu as reuniões transportadas para um salão amplo que, com o tempo, foi sendo embelezado e tornou-se mais confortável: piso no chão, cadeiras mais apropriadas, ventiladores, sistema de som, retroprojetor, video e TV fazem parte do cotidiano dos labores doutrinários, e hoje já é impensável apresentar trabalhos de qualidade sem esses recursos.

 

 

Os primeiros labores

As primeiras atividades do GCE Jesus de Nazaré consistiam em reuniões de estudo, realizadas às segundas e quartas-feiras. Às segundas, era estudada a obra "O Livro dos Espíritos"; às quartas, "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Somente mais tarde começaram as atividades complementares, como o passe, para o qual se treinou uma equipe através de um curso básico. Depois veio o Estudo Mediúnico. Era realizado à tarde, aos sábados, e foi o embrião do que é hoje a Reunião de Educação Mediúnica. Os primeiros participantes foram assim desenvolvendo suas habilidades mediúnicas, permitindo que hoje a Casa disponha de um tratamento especializado em Desobsessão, que ocorre semanalmente e se configura como um verdadeiro pronto-socorro espiritual. Com o crescente interesse dos primeiros trabalhadores, foi iniciado um grupo de estudo da obra "Nosso Lar", de André Luiz, que passou a ser estudada aos sábados pela manhã.

O primeiro trabalho de assistência social ocorreu numa pequena instituição chamada "A Caminho da Luz", casa de excepcionais situada na Rodovia Rio Teresópolis, próxima à Parada Modelo. Por várias vezes o pequeno grupo inicial visitou aquela instituição, levando mantimentos, roupas e uma palavra amiga. Mais tarde, o trabalho assistencial migrou para o mutirão da sopa, que fazia distribuição nas ruas. Com essas atividades, o Jesus de Nazaré deixou de ser apenas o nome de batismo da Casa para ter também um significado para aqueles que vivem fora de suas paredes. Hoje o trabalho assistencial é realizado através da distribuição de bolsas de compras e de roupas, doadas pelos freqüentadores da Casa, sempre no segundo Sábado de cada mês, quando também se realizam trabalhos doutrinários com os assistidos, evangelização com seus filhos e corte de cabelos. Em paralelo às atividades dos sábados, são realizadas outras atividades, como cursos de artesanato e cursos para gestantes. Muitos outros projetos de assistência e promoção social já estão idealizados, e pouco a pouco a Casa vai realizando o desafio de lhes dar uma forma concreta. Esse conjunto de ações fazem parte de outro ideal da Casa, associar o conhecimento doutrinário à prática da Caridade, sempre alinhado com os primeiros ideais das antigas casas cristãs.

Em setembro de 1995 foi lançado, através da iniciativa do grupo de jovens que se reunia aos sábados à tarde, o primeiro número do boletim Cativando, que tem cumprido duas importantes finalidades: o registro da história da Casa através do relato de suas realizações e a divulgação doutrinária de conceitos espíritas-cristãos. Desde seu lançamento, o boletim vem mudando regularmente de formatação e de projeto gráfico, mas mantém-se firme já há quase dez anos, com edições ininterruptas e ótima receptividade junto ao meio espírita de Duque de Caxias.

No início de 2000, a Casa fez sua primeira iniciativa editorial, lançando a obra “Os Dois Pastores e outros Contos”, apresentando 35 contos de cunho evangélico e espírita, e que vendeu quase todos os 800 exemplares de suas duas edições.

Outros trabalhos foram sendo lançados ao longo dos anos, tornando-se hoje marcas importantes do Jesus de Nazaré. Merecem ser citados, entre tantos outros, o estudo sistematizado das obras mediúnicas de Manoel Philomeno de Miranda; o estudo sistematizado da obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, projeto que consiste em 49 palestras semanais e que já se encontra em sua quinta temporada; a Evangelização Infanto-Juvenil, cujas primeiras crianças matriculadas já são hoje jovens que frequentam as palestras públicas e estudos; o Atendimento Fraterno, que completa dez anos em 2005 e cuja metodologia de trabalho já foi apresentada para várias Casas Espíritas, deste e de outros municípios; o Atendimento Fraterno em Grupo, projeto recém-implantado e que apresenta um trabalho pioneiro que associa conteúdos espíritas à metodologia dos tradicionais grupos anônimos de mútua ajuda; e o trabalho social, que caminha a passos largos para criar mecanismos de promoção social, como cursos profissionalizantes e de alfabetização.

 

As pessoas

Nada dessa obra teria sido possível se não fossem as pessoas.

Em 2004 certamente não haveria condições de abrigar os frequentadores do Jesus de Nazaré em suas primitivas instalações, nem contá-los pela memória. Assim, aproveitando o Censo Espírita realizado pela Federação Espírita Brasileira em 2004, foi feito o primeiro censo de nossa Casa. Os resultados apresentaram um perfil em que se destacam os seguintes traços:

·144 pessoas preencheram o questionário; somos 72% do sexo feminino e 28% do sexo masculino. Praticamente 50% de nós situam-se na faixa etária entre 31 e 50 anos, com escolaridade média situada entre Segundo Grau incompleto a Terceiro grau completo. Cerca de 50% de nós somos casados, sendo que 63% com filhos.

·43% de nós participamos de algum trabalho voluntário na Casa, 41 pessoas do sexo feminino e 16 do sexo masculino. Entre os trabalhadores, 39% de nós somos associados e contribuímos para a sustentação financeira da Casa.

·A pesquisa apontou que 5% dos frequentadores chegaram com base em indicação de amigos ou familiares. Um pequeno número (12%) tomou conhecimento ao passar pela vizinhança.

·Entre os vários motivos apresentados para visitar a Casa, três forma predominantes: conhecer mais a doutrina, busca de ajuda espiritual/emocional e proximidade da residência.

·Os três elementos que mais agradam na Casa são: as palestras, o ambiente e as pessoas.

Os desafios

Muito foi produzido ao longo de pouco mais de uma década de história. E como afirmou Jesus que a quem muito foi dado, mais será cobrado, estamos diante de enormes desafios. O número de frequentadores cresce, a necessidade de novos trabalhadores aumenta, assim como a importância da captação de novos associados para garantir a ampliação de trabalhos e propostas. Em 2004, foi definida uma nova formatação da diretoria, composta de três departamentos de suporte (administrativo, financeiro e de patrimônio) e cinco departamentos-fim (doutrinário, comunicação/divulgação, assistência espiritual, assistência e promoção social e infância/juventude). Duas vezes por mês essas equipes se reúnem junto com outros trabalhadores para discutir e planejar os rumos da Casa. Somos uma instituição cristã, mas ao mesmo tempo estamos inseridos no contexto do Código Civil brasileiro e funcionamos com o estatuto de associação sem fins lucrativos. Como tal, estamos atentos à obediência a compromissos legais, e toda uma energia é dispendida para estarmos em dia com as documentações, jurídicas e contábeis. Ao mesmo tempo, estamos atentos à necessidade de crescimento material da Casa. Para isso, novas salas vêm sendo construídas, e o trabalho de ampliação, manutenção, higiene e limpeza serão sempre desafios materiais importantes. Por outro lado, novas reuniões vão sendo implantadas, e para isso uma grande equipe própria de palestrantes reúne-se mensalmente para discutir, planejar e avaliar os trabalhos doutrinários, num processo de capacitação constante. Enfim, disciplina, esforço e boa vontade têm sido ingredientes necessários para que esses tarefeiros de primeira, segunda e última hora consigam dar conta de necessidades tão distintas quanto complexas.

E assim vamos seguindo, contando com o apoio da espiritualidade do bem. Um ideal muito antigo nos conduz e fortalece: é o ideal de Jesus de Nazaré, que há dois mil anos nos inspira a participar da construção de um mundo melhor.

 


Texto construído por Nilson Perissé para as comemorações dos 13 anos de fundação do Grupo de Cultura Espírita Jesus de Nazaré, em 13 de abril de 2005.

 

 

 

 

Última atualização em Sáb, 02 de Abril de 2011 14:26